
O canto de uma alma sincera
O canto de uma alma sincera
Confesso que custei a acreditar quando vi a Hibernia na line-up da conferência Oxigênio deste ano, pois assim como relatado pelos próprios integrantes da banda, ela é pouco conhecida no Nordeste, mas para aqueles que a conhecia, a surpresa foi muito bem recebida.
Donos das letras mais profundas do atual cenário do rock nacional, a Hibernia subiu aparentemente tímida no palco, entretanto, quando as primeiras notas ecoaram, estava claro que um mergulho nos mais profundos e sinceros sentimentos humanos havia começado.
Cantando as canções de seu primeiro disco, “A Vida Como Ela Era” a Hibernia demonstrou uma apurada sintonia com seus instrumentos levando a plateia a um êxtase introspectivo.
A banda também apresentou algumas canções de seu novo disco que tem previsão de lançamento para início de 2013. Obras-primas como já era de esperar!
Uma pena não haver projeção das letras para os iniciantes, no entanto isso não afastou a atenção do público que estava vidrado no talento dessa banda sergipana.
Bateria, teclado, guitarra, baixo e vocal conseguiram transmitir as (in)certezas do nosso cotidiano, demonstrando que o processo de composição da Hibernia justifica o reconhecimento de ser uma banda ímpar, longe dos padrões comerciais e estéticos atuais.
Mesmo tendo como base o Indie-Pop, a banda, de forma peculiar, colocou sua identidade em cada acorde fazendo com que cada um que estava assistindo sua apresentação tivesse a certeza que a sua música da lhe tocava de algum modo.
Sem dúvida, o ponto alto do show foi a música “E se eu disser que não”. Como o próprio vocalista Renato Santana destacou, ela diferente das demais, é uma poesia que foi musicada.
Durante sua execução, o silêncio tomou conta do local e as almas dos presentes “se tocaram”, ao reconhecer em si a fragilidade da vida humana em trechos como:
A quantas anda o meu coração?
E se eu disser que bem?
E se eu disser que não?
E se o tempo me roubar o prazer?
E se eu morrer?
E se eu não fizer
O que eu queria fazer?
E se eu não fizer
O que eu devia fazer?
(…)
E se um amor não me fizer sentido
Exclua-me por favor
E se eu negar a fé
Disfarça em conhecer-me
E se eu não lhe estender a mão
Arranque-a de mim
Só não me deixe assim
(…)
…acaso já se viu um epitáfio que acuse: “aqui jaz um impostor”?
De forma geral, foi uma apresentação memorável, onde a banda pôde sair com a certeza de ter conquistado inúmeros admiradores.
Um salve para a Hibernia pela coragem de cantar as dúvidas e medos reprimidos nos corações de muitos de nós! Obrigado por serem instrumentos de libertação!
Ah, e um recado: que Recife se torne rota de suas apresentações! Queremos vocês de volta!









3 Comentários
Essa banda é simplismente genial… Aqui da minha terrinha, dá um orgulho… Conheci pessoalmente o Renato Santana, o cara é supermegahiper gente boa… Esperando o CD novo!
Que orgulho mano!
a primeira musica que eu ouvi da banda foi “A vida como ela era ” eu não entendo muito de musica e coisa e tal, mas gostei muito dessa banda e de sua letras… e digo mais… estava faltando uma banda Cristã assim; louvo a Deus por vcs… e abrigado a equipe A.M. por postar bandas nascionais de alta qualidade para nossos ouvidos.